
Ontem não conseguia dormir, fiquei na janela olhando o prédio em frente, o movimento das pessoas em volta da TV, o final do Fantástico passando no centro da sala. Entendo perfeitamente Welson esta sua vontade de brincar com o dia-a-dia. Vou citar duas vontades congeladas pelo choque de realidade. A primeira foi na terça-feira passada, eu parada no Minhocão olhando o trânsito caótico da janela de um taxi com ar condicionado. Ao meu lado se posiciona um motoqueiro com cabelos longos, tatuagem tribal no braço esquerdo, vestido todo de preto. Nunca andei de moto [...], imediatamente quis descer do taxi e pedir uma carona para ele, simplesmente passear pelo Minhocão olhando São Paulo de cima. Neste exato momento o taxista pergunta para qual rua iremos e o motoqueiro acelera e vai embora.
Na outra situação ganho um folheto de divulgação de um apto modelo e junto com ele chocolates em barra. Imediatamente pensei em visitar o apto, sentir o fofo do sofá, brincar de casinha na cozinha decorada. O choque de realidade veio imediatamente ao meu comentário: mas você nem está comprando apto? O que pretende fazer lá? Ia responder que era brincar de casinha, mas fiquei quieta e guardei o chocolate para comer depois. Acabo de iniciar a série cotidiana "Choque de Realidade" e convido cada um para contar sua história.
