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21.1.08

Wagner e a identidade ariana

Hitler usava em seus discursos a famosa "identidade ariana", supostamente a identidade alemã. Um dos elementos que Hitler colocava como legitimamente alemã era a música de Richard Wagner.
A princípio, a ligação era apenas porque Wagner, com seu talento e reconhecimento, simbolizava a superioridade alemã. Porém, para Joachim Köhler, era muito mais do que isso.

Köhler defende que Wagner é o verdadeiro autor da teoria de superioridade alemã e, principalmente, da superioridade da "raça" ariana frente aos judeus.

É apenas uma teoria, mas não é descabida. Wagner tinha, efetivamente, preconceito em relação aos judeus. Chegou a dizer, em um de seus ensaios escritos, que os judeus alemãos deveriam abandonar sua cultura judia e assumissem a cultura alemã. Há registro de outras frases ant-semitas de Wagner, o que abre espaço para discussão se , de fato, Wagner era uma inspiração apenas musicial ou se era também ideológica.

Seja como símbolo alemão, seja como influência ideológica, Wagner era adorado por Hitler. Um documentário mostrado na semana passada no The History Channel mostrou que desde os seus primeiros discursos, Hitler citava Wagner para criar a identidade alemã, abalada depois da humilhação imposta pelo Tratado de Versalhes.

A belíssima música de Wagner, amplamente utilizada até hoje em filmes e ouvida por milhares, talvez milhões de admiradores, foi muito utilizada militarmente por Hitler para cometer as maiores atrocidades que o século XX presenciou.

13.1.08

Um resgate da identidade

O Brasil é um país multiétnico. Todo brasileiro é formado por uma mistura, seja cultural ou étnica. A exposição sobre Gilberto Freyre no Museu da Língua Portuguesa mostra um Brasil colorido, temperado. Mais do que sociólogo ou historiador, Gilberto Freyre foi um brasileiro que investigou o que é ser brasileiro.

A culinária, por exemplo, tem temperos especialmente criados com a mistura da cultura européia dos senhores de engenho e os temperos africanos dos escravos, que dominavam a cozinha. Ali foi nascendo uma culinária brasileira.

A Exposição traz ainda uma cerfta interatividade com o visitante. Dentro de gavetas de móveis, de geladeiras, de microondas, cartas de personalidades, poetas, membros do governo, todas destinadas a Gilberto Freyre.

Vale a pena a visita.

28.12.07

Bagagem Cultural


O código cultural – que pode ser descrito como 'significado emocional' – é a chave do sucesso para grandes corporações se comunicarem de forma eficaz e contundente com seus públicos. A explicação é do administrador de empresas Fernando Luzio, sócio-diretor e representante no Brasil da consultoria Archetype Discoveries, fundada pelo psiquiatra e antropólogo francês Clotaire Rapaille. Professor de Estratégia Empresarial do MBA da Universidade de São Paulo (FIA e Fipe), consultor de Gestão Estratégica e autor do livro Fazendo a Estratégia Acontecer, que concedeu entrevista para a revista Comunicação 360 onde li esta dica e recomendo.

(Por Pollyana Ferrari)

30.11.07

Remix Macedônio

o Império Macedônio

A palavra "globalização" ganhou destaque no início dos anos 90, embora já existisse muito antes. Um dos mais importantes aspectos da globalização é a dominação cultural. Embora este seja um fenômeno recente, a história mostra que este tipo de dominação já ocorria na Antiguidade.

Alexandre ganhou o título de "o grande" por ter criado um dos maiores impérios da história. Primeiro, seu pai, Felipe II, dominou a Grécia, já decadente no século V (a. C.). Alexandre assumiu o trono aos 20 anos e começou uma expansão territorial rumo ao leste. Dominou a Mesopotâmia, e chegou até o rio Indo, na Índia.

A dominação de Alexandre começou com a vitória militar. Mas para manter o Império, Alexandre adotou uma estratégia nova: a cultura. Incentivou seus soldados a casarem e terem filhos com mulheres asiáticas de várias culturas. Ele mesmo chegou a casar com uma mulher asiática. Fundou cidades e criou também escolas que ensinavam a cultura grega, bibliotecas com livros para difundir ainda mais o helenismo. Incorporou ainda muitos valores das culturas que encontrava às leis e cultura do Império.

Alexandre conseguiu manter um Império enorme unificado por ter "globalizado" a cultura helena. Criou, assim, a cultura helenística, mistura da cultura helena (grega) com as diversas culturas dos locais dominados.

O remix que Alexandre fez com as culturas do oriente deixou marcas importantes: cidades, bibliotecas e o conhecimento grego. Tudo isto foi muito utilizado pelas culturas locais, especialmente os árabes, que preservaram a cultura grega durante a Idade Média européia. Se Alexandre não tivesse chegado até as "Índias", provavelmente não saberíamos quem é Platão até hoje....