10.9.06

Cinco anos depois


Era minha primeira folga em três meses. Acordei às 6h30 e me arrumei para estar na USP antes das 8h00, pois tinha uma aula na pós-graduação. Discutíamos sobre o livro Idoru, de William Gibson, e eu iria apresentar um seminário sobre o cenário onde a história acontece: línguas diferentes, comidas, coisas de todos os países em todos os lugares. O mundo globalizado, envolto em propostas multifacetadas, desenhadas por Gibson, se tornaria verdade algumas horas depois.
Mais especificamente, uma hora e meia, quando entra uma funcionária da USP na sala e diz para a professora: “explodiram o WTC”. Demorei 10 minutos até chegar ao sexto andar do prédio da Editora Globo, redação da Época. Foram 32 horas trabalhando na cobertura do 11 de setembro. Algumas anotações que encontrei hoje no meu palm, datadas de 11 de setembro:

O jornalismo digital mostrou sua força como mídia de massa. Semana histórica, capturar todas as telas.

Nasceu Lucy, minha cachorra cooker, filha do 11 de setembro.

Quase perdi um amor soterrado no WTC.

Nunca trabalhei tanto, só no plantão de 31 de dezembro de 1988, no Estadão. Jamais esquecerei que faltavam apenas 10 minutos para o fim do ano, quando o Bateau Mouche não suportou o excesso de peso e começou a afundar. Foram 55 mortos. As informações chegavam por telex.

UOL altera a home devido ao alto tráfego de usuários (foto).

Muita coisa mudou de 2001 até hoje. A Lucy agora é uma balzaquiana, o UOL nunca mais teve que mudar sua home-page, o amor não morreu soterrado, mas se foi, e o telex virou artigo de museu. Mas têm coisas que não mudam. As grandes tragédias mobilizam a imprensa e o terrorismo nos assusta a cada amanhecer de um novo 11 de setembro. Muita paz para todos amanhã.

Um comentário:

Lobo disse...

O duro é termos que viver vários pequenos "11 de setembro" por ano.
A história mudou, de novo. O jornalismo digital mostra força, os tradicionalistas continuaram achando bobagem, houveram comemorações descabidas (minha inclusive)... Afinal, a princípio, a notícia que os EUA haviam sido atacados, na minha cabeça, foi algo bom. Ao ver as terríveis cenas, o sentimento mudou. Eram humanos morrendo sem motivo.
Enfim, são mudanças históricas, que ao menos servem para nos fazer pensar mais.