13.11.08

Existe equilíbrio entre o caos e o controle sem líderes?

Acordar cedo com sensação de não ter dormido. Trabalhei muito com os anjos que me carregam: fizemos reuniões, wireframes, rizomas, planejamos novo curso de blog e daí acordo me carregando às 6h da matina. Sim, já trabalhei muito nesta noite. Anoto tudo em bloquinhos que tenho espalhados pela casa - coleciono bloquinhos de todos os tipos, desde que caibam na bolsa.

São 7h12 e começo a ler o lindo relato de Ceila Santos fez no blog Mídia Social. Realmente quando comentei no BarCamp com a Ceila ela era uma criança chegando na rede. Uma criança linda, sorridente, cheia de lápis de cor, idéias, e o que era mais rico: uma certeza inabalável que não fazia mais parte do mundo dos coleguinhas das redações. Me apaixonei por Ceila imediatamente e mesmo com a correria, muita falta de sono, muitos livros para dar conta de ler e pesquisas (tá quase saindo do forno a morte dos portais de notícias....) para entregar, grupos de estudo para dar conta, orientandos, aulas etc, mesmo nos distanciando fisicamente, me enchi de alegria nesta manhãzinha de chuva fina em SP: Ceila cresceu rápido demais e já está, como uma adolescente, questionando a rede. Sua pergunta, que transformei em título deste post matinal [Existe equilíbrio entre o caos e o controle sem líder?] irá para a próxima reunião de orientação com meus alunos da pós-graduação. Você está convidadíssima a participar!

ps: Leia Mil Platôs do Deleuze...antes de 2009


"É engraçado como algumas perguntas só começam a fazer sentido na nossa vida após alguns meses ou anos. Uma delas foi um comentário feito por uma amiga sobre a formação das redes sociais, durante um BlogCamp - onde foco da discussão ainda era entender o que levava os internautas a produzirem seus próprios conteúdos. Afinal, uma rede se forma sozinha ou é preciso criá-la?

Naquela época era tão claro que a rede ia nascendo e surgindo de forma gradativa que jamais teria entendido ao que essa amiga referia. Quase um ano depois descubro o quanto é enigmático ainda, pelo menos para mim, formar redes, participar de coletivos e ser um colaborador ativo. Descobri que algumas redes exigem sim um esforço maluco para criá-la e haja dedicação total e exclusiva para que ela continue viva. Pior que formá-la é mantê-la viva diante da evolução da própria rede. Nem sempre quem cria a rede evolui no mesmo ritmo, ou vice-versa.

Explico: quando uma rede começa a ganhar força, ela torna-se uma rede própria que segue outro caminho e exige uma nova busca. Uma rede é uma eterna formação em plena construção. E, detalhe: não existe rede se ela é uma iniciativa solitária. Formar rede exige um coletivo, o qual precisa adquirir a mesma postura de dedicação total e exclusiva. É preciso que todos estejam na mesma sintonia e, de certa forma, que todos assumam um papel ativo pelo bem comum.

Parece óbvio, mas basta fazer parte de qualquer rede para perceber o quanto esperamos do outro aquilo que temos capacidade de fazer sozinho pela rede. É complicado assumir nossas próprias competências dentro de um ambiente coletivo. A sensação é de que “fazer parte” implica também pedir permissão ao outro. E quem é esse outro dentro de um ambiente de iguais? Quem é a referência de um coletivo? A quem devo perguntar o que pode, ou não, fazer aqui e agora? E o pior: qual é o limite de ser ativo sem desrespeitar o coletivo?

Minha sensação é de que coletivos precisam de líderes para serem construídos até que o próprio ambiente torne-se líder de si mesmo. É necessário que os colaboradores sintam-se donos daquilo que se forma, tomam posse das suas competências e, para isso, talvez, o código seja a lei. Não há ambiente de rede onde a tecnologia ainda é extremamente controlada, rígida e feita por líderes. O que me faz pensar: existe equilíbrio entre o caos e o controle sem líderes?"

Um comentário:

Ceila Santos disse...

Polly, nem sei o que falar...é estranho como a troca na rede faz a gente ficar sem palavras, né. Me sinto como se estivesse vivendo a mesma emoção que tenho quando vejo minha filha crescendo ou relembro de uma forma de amor num DVD de família e começo a chorar por pura emoção. Na rede, mesmo sem visual ou contato físico, a sensação volta. Obrigada, mestra!

será um prazer imenso poder dicustir mais sobre isso e ser orientada a ler Deleuze, que anda batendo na minha porta toda hora (risos) nas conversas via blogs ou listas - coisas de livro!

eu imagino que a resposta de Sanchez no blog seja uma alternativa: a ferramenta de votação pela reputação, tão anunciada pelo Markum no primeiro Barcamp da minha vida e que volta toda hora à tona. Eu acho que ela é um recurso, mas não basta. a plataforma em si precisa ser mais convidativa, mais adequada. Não basta um recurso interativo apenas ou vários, acho que o site em si precisa ter essa mensagem. E confesso que nunca achei um lugar assim onde me sentisse capaz de ser colaborativa pura. bjkas e obrigada por tudo mesmo!