19.8.07

Lâminas com parmesão


Quando tudo pareceu perdido, eu respirei. Quando o ar, cortado e curto, mal enchia os meus pulmões, percebi que a falta de carro e a agenda lotada me indicavam algo urgente:

Devemos estar sempre atentos, pois o ser humano, em geral, é ruim, mal, mesquinho. Que nos rodeamos de amigos interesseiros, lugares com fumaça, trabalhos que não enriquecem a alma, compromissos que não acrescentam nada. Esquecemos do mais importante: ter liberdade para dizer não. Hoje não!

Resolvi fazer tudo a pé e foi ótimo, pois reduzi minha agenda em 30%, caminhei pelo bairro, descobri novas árvores e vizinhos. Descobri a faixa – que nunca vejo – da vacinação gratuita de cães e gatos, passei pelo melhor carpaccio de SP [não resisti e entrei para um deleite dos deuses], embalei com uma cerveja gelada e tudo pareceu alado. É bom sentir paz, independente da companhia ou ausência de companhia.

Hoje chorei
Chorei por mim
Chorei por todos os tolos como eu que acreditam nas pessoas. Mas o carpaccio me salvou e voltei feliz para casa. Felicidade são pílulas que aparecem de vez em quando e não podemos deixar escapar.

Receita Carpaccio (receita original de Giuseppe Cipriani)
Ingredientes: - 300 gr de lombo paulista;- 60 ml de maionese;- 2 colheres de sopa de creme de leite;- 1 colher de sopa de mostarda;- 1 colher de chá de molho inglês;- Tabasco;- Sal a gosto;- Rúcula;- Queijo parmesão
Preparo: - Coloque a carne no congelador. Corte em lâminas muito finas;- Misture maionese, creme de leite, mostarda, molho inglês - até obter creme homogêneo;- Tempere com sal e tabasco;- Arrume a carne em prato de vidro, colocando no centro o molho. Decore com folhas de rúcula e lâminas de queijo parmesão.

15.8.07

Mau gosto do Estadão ao ironizar blogueiros ganha discussão no Blogcamp


Blogueiros publicam informações não confiáveis, são grotescos e nerds. Com esse mote, a campanha do Estadão surtiu um efeito péssimo na blogosfera. Na tentativa de mostrar que o que se lê no jornal (versão web) é mais confiável que muitas publicações na internet (mais especificamente os blogs), o Estadão foi infeliz ao ironizar os blogueiros, não conseguiu entender a revolução que está em curso na sociedade e ofereceu peças de mau gosto aos leitores. A campanha publicitária já está na pauta do blogcamp

14.8.07

Inspiração


Los fantasmas son como los pecados, proceden de lo más íntimo del alma. Uno de los míos se dio a la fuga y me vigiló unos instantes. Dudé al disparar. Si robaba el espíritu de mi fantasma quizás algo de mi moriría. Disparé, al fin, mientras el me expiaba desde la zona de sombras de las casas que nunca lo fueron, desde el crepúsculo de hormigón, malayo y costero. Mais inspirações no blog fotosbrujas

11.8.07

Colo colorido


Retalhos da vida


Retalhos, raspões, vermelho com flores, verde mata, saudade. Tem dias que a falta de ar, a vontade de silêncio absoluto e a necessidade de sonhar tomam conta de mim. Ser filha única nos faz egoístas, não preparados para mudar o plano do dia no meio do caminho. Eu tento, venho tentando há anos deixar a vida me levar. Mas o que eu queria mesmo era congelar o relógio, andar sem bagagem, sem lenço. Eu queria apenas sonhar com uma realidade mais doce. Queria um Dia dos Pais diferente. Uma família grande em volta da mesa de madeira da fazenda... 8 lugares, muitas flores vermelhas e um bate-papo delicado, embalado com beijos entre filhos, pai e avô. Me contentei com um almoço estressado no shopping [comemorado um dia antes], pois a agenda do domingo será com o pai. Meu filho me pergunta se posso ir junto almoçar com o pai. É, não posso, já que o pai não senta na mesa larga de madeira faz muito tempo. Meu pai não ouve o que eu falo, pois também já falo menos, apenas concordo com o encontro no shopping, um lugar que detesto. Cheio de classe-médias ansiosos pela promoção da Vivo, da Tim Ansiosos por um novo pré-pago com câmera digital.
Que dia cheio, exaustivo. Para recarregar as energias: dois sites que acesso para remixar o dia-a-dia sonhando com tecidos de algodão. Stephanie Levy e Cloth Fabric. Feliz Dia dos Pais!

10.8.07

Quem nunca brincou de Lego?


Tijolos coloridos espalhados pelo quarto, sala e cozinha. A cada final de semana passava pelo menos 2 horas guardando as peças no caixote de brinquedos dos meninos. Hoje a fábrica de brinquedos dinamarquesa LEGO faz 75 anos. Fiquei com saudade desta fase lúdica em que reclamava sem saber como era mágico olhar para os tijolos coloridos que, às vezes, machucavam meu pé, escondidos em baixo do tapete. Prédios, aviões, caminhões -- tudo surgia rapidamente na sala. Lembrei-me de um sábado de agosto em que ficamos deitados no chão montando uma fábrica gigante. Foram mais de 200 peças, entre próprias e emprestadas dos amiguinhos. Cada tijolo LEGO precisa ser perfeito. Forte o suficiente para segurar outro tijolo e ao mesmo tempo fácil de ser destacado por uma criança. A produção dos tijolos é tão perfeita que apenas 18 peças entre 1 milhão apresentam defeito. São produzidos 1 bilhão de componentes LEGO por ano. Conheça a história no site www.lego.com

6.8.07

Vozes polifônicas

O cruzamento entre linguagens perceptivas e fetichismos visuais num contexto comunicacional trans-urbano.Um panorama sempre mais denso de códigos mutantes e aberturas sensoriais se incorpora entre arquitetura, arte, publicidade, cinema, design, música, moda, cirurgia. Todas estas dimensões são incompreensíveis sem relações corporalizadas da comunicação visual-digital. O contexto policêntrico destaa difusão fetichista não é mais o tradicional conceito de sociedade industrial, mas sim das áreas híbridas das metrópoles comunicacionais, da mercadoria digital, do corpo como panorama.O seminário performático "Fetichismos visuais, metrópole comunicacional, mercadoria digital, corpos panoramas", do qual participo, se apresenta como uma composição interdisciplinar, com diversas vozes polifônicas: antropólogos, filósofos, arquitetos, coreógrafas, psicanalistas, semióticos, estilistas, informáticos, publicitários, artistas, músicos e cirurgiões.

Serviço: Seminário Performático fetichismos visuais, metrópole comunicacional, mercadoria digital, corpos panoramas. De 15 a 17 de agosto de 2007 - quarta a sexta, 14h às 22h. SESC Avenida Paulista - SP.

1.8.07

Blow-up e duas horas de silêncio por Antonioni


Morreu, aos 94 anos, o diretor italiano Michelangelo Antonioni. Ele estava em sua casa, acompanhado da esposa Enrica Fico. Antonioni nasceu em 29 de setembro de 1912. Sua estréia no cinema foi em 1943, com Gente del Po. Meu filme preferido do mestre é Blow-up, que assistirei hoje com muita calma e deleite. Anos 60, minha década favorita!

49 milhões de brasileiros usam a internet. Destes, 42% publicam conteúdo próprio

A matéria original no site do jornal Destak" de ontem comentando a pesquisa realizada pelo Instituto de pesquisa Datafolha" [Leia], a pedido da agência de publicidade F/Nazca Saatchi & Saatchi", constata que a internet não é mais “coisa de rico”, tendo uma grande penetração nas classes C, D e E. Outro dado importante é que 42% dos entrevistados afirmaram já ter publicado conteúdo próprio na web. A maioria publica apenas conteúdos comportamentais como, por exemplo, o fim de relacionamentos (fotos). Apenas 5% afirmou já ter publicado notícias ou histórias. Os maiores colaboradores, de acordo com a pesquisa, são aqueles entre 16 e 24 anos. Confira o comentário de André de Abreu no Intermezzo

28.7.07

Lada Laika, meus dois amores


Era uma manhã fria de agosto, 1991, quando eu comprei à vista 2 Lada Laika brancos. Foi a melhor sensação da minha vida, só substituída pelo choro do Lucas ao nascer, também em 91. Relembrar é viver! E hoje estou o próprio baú da felicidade.

27.7.07

Cardápio de hoje


Todo mundo é sozinho, errado quem pensar que não. Sozinha encaro os medos, sozinha tento racionalizar o dia-a-dia. Sozinhos nós amamos.

O frio tentador me convida para passear a pé na Paulista. Aí que saudade do tempo que caminhava sem rumo, esperando o nariz congelar. Agosto se aproxima. Meu mês favorito, sinistro, gelado, com tardes cinzas e com vento. Mas, acabo trocando tudo por uma caneca de chá quente de hortelã. Resolvo abrir a caixa de fotos – adoro resgatar flashes de sensações vividas. Aquele segundo registrado para sempre. Hoje tive saudade do filé a parmegiana do Degas, restaurante na Teodoro Sampaio, que já era decadente na década de 80, mas continua firme até hoje com seu suculento bife. Saudade de um tempo que meus problemas passavam após um suculento bife e uma taça de vinho da casa. Daí vinha o frio de agosto e tudo estava perfeito. Nada mais a pedir.

O que será que mudou? Envelheci, tornei-me mais exigente, medrosa? Talvez tudo e nada ao mesmo tempo. Ontem, roubaram meu carro. Me senti nua. Mesmo sabendo que moro em uma metrópole violenta, mesmo tendo seguro, me senti sozinha. Nesses últimos sete dias duas pessoas especialmente queridas me falaram que eu tenho expectativas demais diante da vida, dos relacionamentos. Acho que elas estão certas, mas não consigo ser diferente apesar de tentar loucamente. Quero voltar a me contentar com o bife suculento, pois não tinha carro, nem casaco caro, nem seguro e era profundamente feliz.

Acabei de assistir “Casos e Casamentos”, filme que comprei anteontem[ numa noite de profunda solidão] por R$ 9,90. Sarah Jéssica Parker, Antonio Banderas e Mia Farrow trabalham na comédia romântica. Sarah acaba sozinha com medo de terminar seus dias em um asilo fazendo festa de aniversário para seus gatos. Uau! Que semana dura. Acho que além do filé a parmegiana, também preciso de 50 brigadeiros, 1 torta de morango do Viena e 4 graus para amanhã.

24.7.07

Snack culture


"Acredito que a Internet, como meio orgânico que é, propicia a proliferação de fenômenos como o snack culture. A web que assistimos no vídeo EPIC (disponível em português no You Tube) já chegou. As redes sociais estão aí. Você já perdeu 2 horas no Google View Street? Seja assistindo a um assalto ou tentando visualizar uma rua no Mashable Mashable, o usuário atual se realiza por meio de thumbnails de sensações que memorizou" [trecho extraído da reportagem "Cultura em Pedaçõs", publicada ontem no jornal A Gazeta, editoria de cultura. A matéria do jornalista Vitor Lopes pode ser lida no site Gazeta Online

18.7.07

A web somos nós


O que muda na postura e no dia-a-dia do profissional da informação na era digital? Quem é o novo profissional da comunicação e quais meios ele possui? O livro Hipertexto, hipermídia (organizado por mim) desvenda as representações, os processos e os modos de disseminação do conhecimento a partir do computador pessoal, do notebook, do palm, do celular, entre muitas outras possibilidades. Ao cidadão ávido por informação bem apurada, o suporte importa muito menos que ter a notícia ao alcance das mãos, onde e quando precisar. E, de preferência, com um grau de interatividade impensável há poucos anos. A sociedade atual move-se em torno das pessoas, das suas histórias, de seus costumes, suas experiências de vida, enfim da informação individualizada.

Na era digital, tanto o acesso à informação quanto a relação do público com ela está mudando rapidamente. Este livro se propõe a mostrar o novo, o que está sendo pensado pelos pesquisadores e jornalistas que vivenciam a hipermídia.

6.7.07

Curvas geladas

Galhos, rizomas, devaneios

Férias...............simplesmente


Nada a dizer. Apenas desligue o celular, não abra o Gmail, não atualize seu blog. Respire fundo no topo da montanha mais alta. Olhe a natureza, curta o frio. Namore! FÉRIAS!!!!Aproveite para dar risada, dormir abraçado e agradecer por tudo que a natureza nos oferece diariamente.

29.6.07

Vendida uma história de 50 anos

Leio outra notícia, na pilha de conteúdo que se acumula no meu desktop, e fico nostálgica. A venda da Manchete por R$ 28.391.000,50 . Para quem, como eu, trabalhou para a família Bloch, bate uma sensação de abandono, abandono dos sonhos. "Vendida uma história de 50 anos". Esta foi a primeira frase ouvida após o martelo ser batido no leilão da sede da Bloch Editores, na terça-feira (26/06). A Universo, inquilina do imóvel, pretende criar no local a Universidade Virtual da Universo e um centro cultural. Tudo dentro do ideal de Adopho Bloch. "Já investimos R$ 6 milhões em reformas no prédio. Inclusive restauramos a escultura que fica na praça em frente", informou Jefferson Salgado de Oliveira, presidente da Universo. Tantos ideais tinha Seu Adolpho, que tive o prazer de conhecer e encontrá-lo algumas vezes no Rio de Janeiro, e por falta de herdeiros diretos e sobrinhos inteligentes, soube antes mesmo de morrer que seu império chegaria ao fim. Férias nos fazem pensar em coisas que vivemos e outras que faríamos totalmente diferente do que fizemos. Seu Adolpho com certeza não queria ver sua Manchete transformada em Centro Virtual Universo. Eu também não queria ter vivido muita coisa que vivi ou vi, mas também devemos olhar para o que ainda não vimos e desejamos. Eu, por exemplo, quero conhecer a Albânia. Um sonho antigo que será concretizado.

Web 2.0, férias e shampoo

Estou sumida do blog, 10 dias sem postar nada. Tudo que eu detesto nos blogs alheios ocorre no meu...Tanta coisa para contar, idéias para compartilhar e tenho a sensação que as 17 horas diárias que passo acordada, em média, são insuficientes. Mal consigo ter tempo de lavar o cabelo, isso mesmo, aquela tarefa higiênica que, para quem tem cabelos longos como eu, consome em média 20 minutos entre o shampoo, creme, pentear e secar com a toalha. Mas existe esperança. SIM! Hoje entrei de férias e como não poderia deixar de acontecer, acordei sem despertador às 6h da madruga e já estou a mil, como se o corpo ainda estivesse trabalhando.

Nos RSS matinais de hoje aposto no evento Digital Age 2.0, que acontece nos dias 9 e 10 de agosto, em São Paulo, no hotel WTC, e traz especialistas como John Battelle e Martin Lindstrom falando sobre marcas, identidade digital e comportamento de consumidores. Entre os temas que serão debatidos pelos palestrantes internacionais e nacionais, estão: a nova identidade virtual, conteúdo gerado pelos usuários, Second Life e mundos virtuais, para onde caminha o consumidor online, como posicionar a sua marca no novo ambiente digital, entender a dinâmica de blogs, wikis e redes sociais.
Para participar, acesse http://jumpexec.uol.com.br/index.php?sub=3&land=ler&idArtigo=1263

17.6.07

Contêiner no quintal


Semana passada tive uma emoção muito forte. Estive perto, muito perto de centenas de contêineres no porto de Santos. Conhecer o porto já era um desejo antigo, aquelas 300 coisas que precisamos realizar antes de morrer...Mas não sabia que a velha paixão de trabalhar dentro de um contêiner-escritório viria a tona com tanta força. Sim, já desejei ter um contêiner no quintal, um refúgio para poder ficar em silêncio, ouvindo apenas minha respiração. Um lugar para me refugiar do dia-a-dia, das maldades do ser humano, da correria, da falta de amor. Um espaço neutro, só meu. 12 metros que poderiam virar submarino, escritório, espaço de meditação ou mesmo uma sensação de acampar no quintal. Sempre quis uma barraca para acampar no quintal. Meio Bob Esponja eu sei, mas tem vezes que queremos apenas ter um espaço para sonhar.

6.6.07

5 horas em Congonhas

O vazio entre o embarque para Florianópolis e o meu processo mental de criação, ou seja, como minha mente funciona em momentos de absoluta solidão -- apesar da lotação absurda da sala de embarque e da impossibilidade de uma poltrona disponível -- me fez sentar no chão, ler a Folha de S. Paulo, ao mesmo tempo que olhava para o painel com noticiário volátil passando, registrando apenas a manchete sobre a banda U2, cotada para gravar o slogan de Hillary Clinton à presidência dos EUA. Ver o Bono trabalhando para a família Clinton me fez pensar na falência total da sociedade vigente; falência esta que me deixa por 5 horas esperando o vôo 1280. Já preparada para acampanhar no carpete de Congonhas, trouxe trabalhos acadêmicos para corrigir [uma pilha sem fim de textos], o livro "A ilha deserta", de Deleuze, muitos pacotes de Trident de canela, uma garrafa de água com gás [a minha preferida] e revistas de decoração para quando tudo falhar e eu não quiser pensar em nada sério, apenas sonhar com meu novo jardim, sofá ou banheiro.
A previsão do tempo no painel da Clima Tempo avisa que a frente fria já castiga Santa Catarina. Uma senhora com blusa de lã bege, ao meu lado, pede para caseira ligar o aquecedor, guardar lenha e preparar uma sopa de feijão para o jantar. Ela também diz que está levando o salário. Lembro e anoto no bloquinho que também preciso voltar para São Paulo com o salário da empregada em mãos. Canso de ficar acampada e vou até a Lasselva. No trajeto, um expresso puro na Brunella. Automaticamente, ao ler Brunella, me vejo no Guarujá, em meados de 1984, tomando sorvete de pistache na praia da Enseada. Bebo o expresso enquanto me dirijo à Lasselva. Folheio a biografia da Maysa[...] uma mulher de muitos amores. O prefácio diz que sua vida recomeçava e acabava a cada dia. Outro livro tira a minha atenção e dispenso Maysa momentaneamente. "Enquanto o ditador dormia" relata o dia-a-dia de Lisboa dos anos 50. A Lisboa pós guerra, os amores de Alice -- adoro este nome. Mais um Trident de canela. Recebo um torpedo. Leio e volto para a narrativa de Domingos Amaral sobre Lisboa [mais de 200 mil livros vendidos em Portugal desde o lançamento]. Correlação imediata com um livro antigo que adoro "O outono do patriarca" de Garcia Marquez.

Volto ao carpete de Congonhas e decido dar um tempo com os trabalhos acadêmicos. Começo a reler "Raymond Roussel ou o horror do vazio", artigo de 1963 de Deleuze. Decido usá-lo como base para minha aula de sábado na pós-graduação. [...] O vazio será preenchido e transposto pelo quê? Nos pergunta Deleuze [...] por extraordinárias máquinas, por estranhos atores-artesões. As coisas e os seres seguem a linguagem. Tudo nos mecanismos e nos comportamentos é imitação, reprodução, récita [...] são as próprias coisas que se abrem à custa de um dublê, de uma máscara. E o vázio é agora [...]
Tenho fome. Enfim decolo às 13h00 com fome e um vazio interno imenso.

21.5.07

Engana olho

"tromp l'oeil"(engana o olho)

"Paris é uma cidade na qual você pode ver vários "tromp l'oeil"(engana o olho). Este fica localizado na Place Fréhel no 20ème arrondissement", comenta Fernanda Levy, autora da foto.
"Alagados" também faz parte daquele rol de músicas que engana o olho, quando se cruza esse registro rudimentar, de um tempo distante, guardado e empoeirado na memória, com anseios recentes. É o que não parece ser....

A busca pelo congelamento do relógio, a fenda imaginária, capaz de proporcionar uma mágica segunda-feira - sem trabalho, barulho ou chatices - capaz de resumir todo o amor do mundo ao deleite de um almoço, um cheiro, um olhar. Vou cantando e tentando driblar melhor minha segunda.


"Todo dia. O sol da manhã vem e lhes desafia
Traz do sonho pro mundo quem já não queria
Palafitas, trapiches, farrapos
Filhos da mesma agonia
E a cidade
Que tem braços abertos num cartão-postal
Com os punhos fechados da vida real
Lhes nega oportunidades
Mostra a face dura do mal
Alagados, Trenchtown, Favela da Maré
A esperança não vem do mar
Nem das antenas de tevê
A arte é de viver da fé
Só não se sabe fé em quê"

17.5.07

Tudo ao mesmo tempo


O Google anuncia seu sistema de buscas universal. "Quem buscar o termo Simpsons, por exemplo, encontra uma relação de links relacionados ao desenho animado e, numa barra superior, a indicação de que há mais conteúdo disponível em vídeo e fotos sobre os Simpsons. A idéia do Google é unificar resultados encontrados em todas suas ferramentas de busca (acadêmica, livros, vídeos, fotos, websites, etc.) e oferecê-las ao usuário de modo simplificado e em ordem de relevância". Na mesma linha, o Yahoo está testando a ferramenta Alpha, que reúne vários tipos de busca em uma só página e permite ao usuário agregar buscas de outros serviços e organizar a ordem como quer ver os resultados. Além disso o usuário pode anexar buscas do YouTube, Flicker, Amazon, Wikipedia, entre outras opções. Primeiro passo para a tão falada web semântica.

10.5.07

Revista indispensável


Marcos Palacios sempre nos oferece pérolas do Jornalismo Online no blog do GJOL. Segue sua última dica: "Está disponível online o primeiro número da revista Estudos em Comunicação, publicação semestral do LABCOM (Laboratório de Comunicação On-line) da Universidade da Beira Interior (Portugal). Publicando em Inglês, Português, Espanhol e Francês, a revista tem como tema do primeiro número Comunicação e Política, incluindo ensaios focados em Jornalismo e Esfera Pública, Jornalismo e Processos Deliberativos Democráticos, Análise do Discurso da Mídia em Campanhas Eleitorais, dentre outros. Dirigida pelo Prof. João Carlos Correia, tendo como Editora a Profa. Anabela Gradim"

Os artigos podem ser acessados no site da revista, com opção para o download completo em pdf. http://www.labcom.ubi.pt/ec/_docs/revista/labcom-ec-2007-04-all.pdf

2.5.07

Dá-me a Tua Mão



Entre duas notas de música existe uma nota
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por
mais juntos que
estejam
existe um intervalo de espaço
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e jogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio

Clarice Lispector

29.4.07

Minha primeira música que cantei no Tuca

Escrever doutorado nos enlouquece em pílulas. Você esquece que é sábado, que a vida acontece em Sampa. Você esquece de comer, a mão dói -- de tanto escrever --, o pensamento gira em círculos sobre Ibid, apud, ABNT, tabulações. Uma sensação de um piano pousado em meus ombros. Vontade de parar tudo, tomar um banho quente, ler Caras, atacar dez trufas, pedir beijo... O único consolo é o google ao meu lado, além de você Mimi, que dorme nos meus pés. Lembrei da primeira música que cantei no Tuca. Sim, já fui macrobiótica, comunista e fazia teatro. Lembrei-me agora das aulas de canto intermináveis procurando o Lá, o Ré de "Casinha Pequenina". Um respiro gostoso nesta fase horrível.


Tu não te lembras da casinha pequenina onde o nosso amor nasceu
tu não te lembras da casinha pequenina onde o nosso amor nasceu
tinha um coqueiro do lado, que coitado, de saudade, já morreu
tinha um coqueiro do lado, que coitado, de saudade, já morreu.
Tu não te lembras das juras e perjuras, que fizestes com fervor tu não te lembras das juras e perjuras,
que fizestes com fervor daquele beijo demorado,
prolongado que selou nosso amor
daquele beijo demorado, prolongado que selou nosso amor

28.4.07

tô pensando em me jogar da pedra mais alta ...


Numa remixagem de "Secos e Molhados" com teatro de improviso, o Teatro Mágico encanta e nos faz sonhar. Abaixo o relato de Fernando, do www.miguelarepreciso.blogspot.com


"Quem nunca foi no show do Teatro Mágico precisa ir. Não conhecia nenhuma música. Um amigo me pegou em casa e me levou no show. Falou que eu ia me encantar. Não deu outra. Passei umas duas semanas só ouvindo as músicas. É viciante. Passei as músicas para várias pessoas. Claro, para as meninas! O efeito é interessante (...)" www.oteatromagico.mus.br



23.4.07

Um domingo para sonhar


Você já se sentiu entrando pela toca do Coelho no filme Alice? Uma lembrança leva a outra e a outra, num caleidoscópio de emoções. Mosaicos que vão se conectando, desejos que retornam com a força de um tigre...Espero que isso ocorra com você também "Joãzinho". Sim, "Joãzinho" era a melhor definição do brasileiro, feita pelo querido David Drew Zingg, figuraça que morreu muito cedo, deixando suas Jennifers sem substitutos. Jennifers, que adoravam as massas frescas como o ravióli de vitelo ao molho de cogumelos, do Gero. Nosso bar, nossa mesa, nossos bate-papos intermináveis, nosso desprezo pela burrice, pela classe média e pelos medíocres.

Diretamente do túnel do tempo também resgatei Angela Rô Rô e seu "Amor Meu Grande Amor", deixando-a a noite toda no repit...

Que eu seja a última e a primeira
E quando eu te encontrar, meu grande amor
Me reconheça


Até porque uma Jennifer não marca hora para nada. O dia de hoje, com céu azul, vislumbra uma semana com muitas emoções. Boa semana querido Dave. Resolvi voltar ao Gero, depois de tanto tempo, com uma companhia mágica, acho que você vai aprovar desta vez.

19.4.07

O tamanho das pessoas

Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento ...
Uma pessoa é enorme para você, quando fala do que leu e viveu,
quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado.
É pequena para você quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade, o respeito, o carinho, o zelo, e até mesmo o amor.
Uma pessoa é gigante para você quando se interessa pela sua vida,
quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto com você.
E pequena quando desvia do assunto.
Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.
Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.
Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas
Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.
Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.
É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam
e se encolhem aos nossos olhos.
Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros,
mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.
Uma pessoa é única ao estender a mão,
e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma.
O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande é a sua sensibilidade, sem tamanho ...
(W. Shakespeare)

16.4.07

Café, protetor solar e uma amiga que vai embora


Gostar de café aproxima as pessoas. Sempre acreditei nisso. O café só se constrói na mistura, na fusão. Ouvir as pessoas, perguntar seus desejos, ou mesmo frases simples como: E seu final de semana? O que fez de bom? Fazem a vida ficar mais bonita, mas leve. Hoje Beth Bispo, minha amiga com sorriso farto e nome de personagem de HQ vai embora do café da faculdade. Beth Bispo prepara o melhor café do mundo, pois além de sorrir como ninguém ela conversa e nos faz rir. Qualidades raras no mundo frio em que vivemos. Qualidades e desejos quase sempre ignorados pelo patrão, pelo chefe ou pelo vizinho de mesa no trabalho. Não sei porque Beth vai embora da Casa do Pão de Queijo, mas ela me disse que foi ela quem pediu a conta e não se arrepende. Fico feliz por ela e triste por mim. Não terei mais sua companhia e seu café maravilhoso para iluminar minhas manhãs de segunda-feira.
Beth sai em busca de um chefe mais sensível, pois não é só salário ou direitos trabalhistas que necessitamos. Muitas vezes precisamos de protetor solar e melhores lanches. Sim isso é fundamental.
"Pedimos 12%, além de lanche e protetor solar gratuitos, mas o Selur disse que não é possível atender", afirmou Moacyr Pereira. O piso salarial do varredor é de R$ 544, e do coletor, R$ 647. Nunca paramos, como paulistanos, para pensar que produzimos cerca de 13 mil toneladas de detritos, sendo 9 mil toneladas de lixo recolhidas por 370 caminhões --o restante é entulho e material para reciclagem. E os nossos companheiros catadores de lixo, garis e motoristas pedem protetor solar e melhores lanches.

Na saída, depois do segundo melhor expresso do dia, Beth me deu seu msn e seu orkut. Fiquei muito feliz em saber que poderemos continuar trocando histórias pela internet. Isso que eu chamo de utilidade para o orkut: ser amiga virtual da Beth Bispo. Nos vemos no Orkut Beth!

15.4.07

Doblo


tantas escolhas que passam como feixes de luz
desejos que nos levam para abismos
ou para casa

vontade de acertar
a vida passa em flashbacks rápidos no doblo
uma nova brisa de outono
um brinde nas curvas de Santos

a lua me chama para novos ciclos
risos
chocolate
novos desejos
comparações

uma inesperada bula chinesa
ou quem sabe cérebro de macaco para o jantar

alegria juvenil

Se arrepender? Do quê?

Bobagem
carregamos nossa história como tatuagens

olhamos para fotos antigas
tentando vislumbrar cenários que não ocorreram

não da para planejar
não da para comparar

apenas deixar a vida nos levar

sentir a brisa do mar
o nascer do sol

descobrir detalhes escondidos no dia-a-dia
voltar a ser a criança do circo da minha rua

aquela que gostava do leão sem dente
e da trapezista com meia calça furada

também achava doblo um carro de lavanderia

hoje não julgo nada
apenas deixo a vida me levar

14.4.07

Web 3.0: desejos atendidos sob medida


Tim Berners Lee lidera um grupo de pesquisa chamado W3C no MIT (Massachusetts Institute of Technology). Eles trabalham na construção de uma rede em que os computadores entendem semântica. Eles compreenderiam o significado das palavras que usamos na rede. Segundo reportagem publicada na revista Época deste sábado, “A terceira geração da web” está próxima. Alguns sites como o Joost, um repositório de vídeos que analisa as preferências dos internautas, criado por Janus Friis, um dinamarquês de 30 anos, e Niklas Zennström, um sueco de 40 anos, pode futuramente destronar o YouTube, pois a proposta do Joost é ser capaz de analisar as preferências do usuário e indicar uma TV sob medida para ele.
Estimular a imaginação, proporcionar starts sensoriais e recompensar a atenção do leitor com uma consistência imaginativa capaz de entender o que ele deseja ler, ver ou sentir talvez seja a grande caixa de pandora do século vigente. De um lado, cientistas como Berners Lee buscam, na inteligência da linguagem a capacidade semântica de oferecer, por exemplo, a melhor lista de hotéis e serviços, filtrados a partir de posts de leitores em blogs de turismo; ou pesquisadores em hipermídia como eu e tantos outros que recorrem a filosofia e a psiquiatria Winnicottiana para tentarmos novos feedbacks entre o autor e o leitor. Hoje o internauta busca o especial, o sob medida, o comentário pelo RSS, o bookmarking do Del.icio.us ou a imagem que ele mesmo remixou.

11.4.07

O outono que nos faz sonhar


Resumindo, ele se enterrou tanto em seus livros que passou as noites lendo desde o crepúsculo até a alvorada e os dias desde o amanhecer até o escurecer; e então de pouco dormir e muito ler seu cérebro secou e ele perdeu o juízo. Ele preencheu sua mente com tudo o que lera nos livros, com encantamentos, disputas, batalhas, desafios, ferimentos, galanteios, amores, tormentos e outros disparates impossíveis; e que impregnou tão profundamente sua imaginação com a crença de que todas as coisas imaginárias que lera eram reais, que ... [ele] decidiu ... tornar-se um cavaleiro errante e viajar pelo mundo de cavalo e armadura em busca de aventuras

Don Quixote de la Mancha


Hoje ao levar meus amores na escola, logo cedinho, 7h, fui surpreendida pela melhor das surpresas da natureza, a chegada do outono. Sim, o outono é minha estação preferida: aquele vento do leste que derruba as folhas, flores e nos faz sonhar. Aquele frio leve, sutil e encantador que gela os lábios, mas não nos arrepia, apenas nos avisa que o outono está chegando de mansinho. Outono combina com namoro, romance e beijo. Outono combina com Don Quixote. Outono combina com nos tornarmos cavaleiros errantes, abertos para os sonhos, felizes com as folhas no chão. O outono nos torna capazes de resumir o melhor do mundo a um milkshake de chocolate na madrugada. Vale dizer que milkshake existe para tomarmos acompanhados da melhor companhia; pois milkshake não foi feito para solitários. Nem o outono que se aproxima a cada manhã bonita de sol frio.

O que posso desejar além do outono e de um milkshake na madrugada? Seu beijo, claro.

9.4.07

Paulo Francis Vai pro Céu


Hoje acordei com muita saudade do Paulo Francis. Que merda está o PT, o Brasil. Como chegamos aqui? O que aconteceu com nossos sonhos? Não quero mais ler jornal, assistir TV, talvez só mergulhando no mundo da fantasia, assumindo meu estilo Fiona de ser. Aliás, "Sherek 3", que estréia em maio nos cinemas, está muito divertido. Dá para ver um preview em [www.sherek.com].

Resolvi ouvir a banda recifense Paulo Francis Vai pro Céu hoje cedo, pois a Semana Santa foi muita chata e ninguém aguenta mais os filmes bíblicos. E ainda teremos a visita do Papa... Imagina o JN especial de Aparecida do Norte? A Ana Maria Braga, a Hebe e o Rei cantando juntos Ave Maria?

Também lembrei da declaração de Humberto Gordo para um periódico de Recife, que compartilho com vocês agora: "Paulo Francis deve estar se revirando na cova desde que o PT assumiu. Era tudo que ele sempre criticava", especula o baixista Humberto Gordo, referindo-se ao finado jornalista que inspirou o nome da banda. "O mundo de hoje está politicamente correto demais, cheio de demagogia e movimentos pacifistas, principalmente depois da guerra do Iraque". A música Collin Powel, foi escrita pelo Francis, junto com o produtor Nelson Motta, e apresentada no programa Manhattan Connection há algum tempo. A banda enviou um e-mail pedindo a letra e teve seu desejo atendido por Motta.

31.3.07

Eu quero um Leonidas lá em casa







Nada como um exército de homens "tanquinho" para acabar com qualquer tristeza feminina. 300, que estreiou ontem em circuito nacional, traz um Rodrigo Santoro que definitivamente não fala em seus filmes, quem sabe no próximo?


Santoro não conseguiu convencer como Xerxes, estava tenso e suas falas não combinavam, mas, em contrapartida, Leonidas (Gerard Butler) - além do corpo monumental, colírio para as mulheres -- , tinha um humor e uma acidez que ia além das terras de Esparta. A rainha espartana também mostrou que era uma mulher Alfa, para usar o termo em moda entre as amigas "Sex and the city". (...) Ao ser chamada de adúltera, resolveu a questão com a espada (...) Não contarei mais para não ser chata e descrever o filme todo.


Aliás, os homens deveriam ver mais estes seriados de alma feminina para saber porque as mulheres faziam fila ontem na estréia de 300. Fãs de HQs do Miller, sim algumas, inclusive eu, mas a grande maioria viu o trailler na Web e já entabulavam conversas entre si sobre os músculos espartanos. Só uma pipoca para acompanhar, pois o manjar dos deuses estava sensacional. Sim, tinha muito sangue e mortes, mas as mulheres nem viram esta parte. O escocês Gerard Butler já encantou as mulheres quando protagonizou Drácula em 2000. Lembram dele?

PS: sei que terão namorados preocupados, maridos que sabem que não conseguirão transformar nenhuma Companhia Atlética em treinamento físico espartano. Mas, minha dica é relaxar...As mulheres sonham acordadas com mecânicos, marinheiros, bombeiros. Na grande maioria das vezes não comentamos nada, apenas sonhamos!

27.3.07

"Youtubizar-se". A nova febre do jornalismo nos EUA


O The Wall Street Journal Online já começou a "YouTubizar-se". Criou um menu de vídeos com temas que vão de imóveis à moda, onde os leitores podem ver diretamente na página do jornal, enviar por e-mail, copiar o endereço ou mesmo o código HTML.

26.3.07

Eu sou uma Alfa nerd


Vocês já sentiram uma vontade enorme de congelar o tempo e poder expandí-lo a seu favor? Bom, eu sinto isso diariamente. Voltei do Barcamp com várias idéias, principalmente depois da reunião/café/desabafo e imersão que tive com Ceila e Lucia, duas mulheres totalmente Alfa, como a revista Época nos define....Somos modernas, inteligentes, decididas, independentes financeiramente e faltou o adjetivo nerds. Claro, nós somos (eu me incluo). Pois enquanto milhares de magrelas, loiras e saradas aproveitaram o sábado de sol para manter a cor, correr na academia ou simplesmente consumir nos shoppings, nós três Alfas, discutimos camadas deleuzianas, produção coletiva de conteúdo, tags, a limitação dos designers e muito mais....Não consegui ainda escrever tudo que desejo do meu balanço do Barcamp, ou seja, meu diário de bordo, pois tive sono e acordei meio table hoje.
Para quem gostou da foto, tem mais no flickr http://www.flickr.com/groups/htmljokes/pool/Aproveite e monte a sua!!!

25.3.07

Os resultados do BOP 2007


Marcos Palacios (gjol.blogspot.com) nos lembra que os resultados do BOP 2007 (The Best of Photojournalism) começaram a sair e é imperdível. O BOP é um projeto da National Press Photographers Association. Os resultados para fotojornalismo online só foram parcialmente divulgados, estando disponibilizadas Galerias selecionadas como as melhores. Faltam os anúncios dos ganhadores para slide show, multimídia e blogs fotográficos.

23.3.07

BarCamp e Gafanhoto juntos pelo mesmo ideal

Reunir gente interessada em internet e tecnologia, disposta a trocar experiências, colaborar - esse é o objetivo do BarCamp. O evento é organizado informalmente, enquanto acontece, sem ter uma programação fechada ou palestrantes definidos: são os próprios participantes que decidem a grade de discussões no começo de cada dia. Entre os temas que serão discutidos em São Paulo estão comunicação participativa, gestão de conteúdo, software livre, plataformas online de colaboração e Web 2.0. Dia 24 o evento acontece na Faculdade Cásper Líbero, a partir das 9h00, e no domingo, 25, na Gafanhoto (Av. Rebouças, 3.181, tel.3816-2859), casa de cultura de Cazé Peçanha (MTV) e Newton Cannito, recém-inaugurada em Pinheiros.

19.3.07

Irmãos Marley animam minha segunda



Gingado e sorriso lindo.Gingado e sorriso lindo.Gingado e sorriso lindo.Gingado e sorriso lindo.Gingado e sorriso lindo.Gingado e sorriso lindo.Gingado e sorriso lindo.Gingado e sorriso lindo.Gingado e sorriso lindo.Gingado e sorriso lindo.Gingado e sorriso lindo.Gingado e sorriso lindo.Gingado e sorriso lindo.Gingado e sorriso lindo.Gingado e sorriso lindo. Gingado e sorriso lindo.Gingado e sorriso lindo.Gingado e sorriso lindo.Gingado e sorriso lindo.Gingado e sorriso lindo........................

Hoje assistirei ao show dos irmãos Stephen Marley & Damian "Jr. Gong" Marley pelo http://msnpresents.msn.com/Marleys/artist.aspx?mkt=pt-br. Não percam a apresentação ao vivo de Miami. Os Marleys, dois filhos do ícone do Reggae Bob Marley, prometem muita animação e gingado na tela do computador. Vamos de Bob para a semana ser feliz e alegre, pois o tempo está mais frio e cinza. O que nos faz dormir melhor e nos preparar para o mundo do chocolate com a Páscoa se aproximando.

12.3.07

The Guardian 24/7


O jornal The Guardian passa a oferecer notícias 24 horas por dia, sete dias por semana (24/7), com base em princípios anunciados por Alan Rusbridger, seu editor geral. Vale a pena conhecer na íntegra os pontos elencados pelo documento que prevê uma produção constante, com notícias bem apuradas e editadas. Isso me fez lembrar do que fazíamos em 1998 na revista Época Online. Bons tempos que os websites de revistas eram levados a sério pela massmedia brasileira.
1. The Guardian está crescentemente tornando-se um provedor global de notícias, com uma audiência e uma reputação internacionais;
2. Usuários da Web esperam ler as notícias no momento em que acontecem
3. Se não atualizarmos nosso site continuamente, os leitores irão para outra parte;
4.Nosso website é crucial para nossa estratégia digital e para o futuro do The Guardian & Observer;
5.O propósito internacional e alcance do The Guardian & Oberserver não podem ser atingidos com a programação de publicação vigente;
6. O jornalismo do The Guardian & Observer deve ser preciso, fidedigno e confiável;
7. Em qualquer circunstância em que a velocidade possa comprometer a confiabilidade, deve-se optar pela confiabilidade;
8. Continuamos a colocar um valor extremamente alto na profundidade, complexidade e na idéia de um jornalismo que não pode ser precipitado;
9. Reconhecemos que a maior parte de nosso melhor jornalismo requer tempo, paciência e pesquisa diligente;
10. 24/7 significa que passaremos a publicar material 24 horas por dia, sete dias por semana e não mais, como agora, 16 horas por cinco dias;
11. Isso significa publicar mais de nossas notícias, de acordo com as demandas da Web, ao invés das demandas e ritmos de um jornal impresso;
12. De maneira geral, material que foi redigido e editorado pode ser postado na Web tão logo se torne disponível;
13. Exceções podem ser feitas para histórias que os editores decidam preservar para a edição impressa;
14. Continuaremos a usar serviços de agências para as notícias de última hora, mas buscaremos fazer uso pleno de nossas capacidades editoriais e agregar valor "The Guardin/Observer";
15. Isso significa criar contextualização, análise e opinião - e, algumas vezes, cor (colour);
16. O ponto acima se aplica principalmente na área de notícias (nacionais, internacionais, cidade, esporte);
17. Aplica-se também a comentários e, por exemplo, crítica de arte;
18. Haverá áreas não-noticiosas que gostaríamos de estender e explorar ao longo dos sete dias;
19. Nossos processos de produção devem refletir as necessidades da web (por exemplo, o uso de manchetes adaptadas à web (web-friendly headlines), além de manchetes jornalísticas, links, tags, palavras-chaves etc);
20. Todos os jornalistas do The Guardian & Observer deverão trabalhar de acordo com estes princípios.

Alan Rusbridger
Editor, The Guardian

11.3.07

Céu de Monet


Todo dia de céu azul, como hoje, aquele céu de Monet, fico sem ar. Dias cinzas não me causam nada. Sou o avesso.
Todo dia de céu azul sinto uma vontade absurda de sair correndo, pegar o primeiro avião, dizer olá para um estranho, congelar o dia e ficar deitada na grama olhando o céu.
Dias de Monet deveríamos nos apaixonar loucamente. "Beautiful day" com princípio, meio e fim. Um dia de 12 horas imersa no mar, apenas sentindo o salgado na pele, a areia fazendo cócegas nos pés. Um dia ouvindo U2.

It's a beautiful day
Sky falls, you feel like
It's a beautiful day
Don't let it get away

Dias de céu azul não quero ser eu, nem conversar sobre advogado, dinheiro, doutorado, contas e chatices. Será que corto o cabelo? Antes, quando o vento leste batia matador -- associado ao céu de Monet --, eu cortava o cabelo, mudava a cor e comprava roupa nova. Hoje apenas espero anoitecer e o vento passar. Será maturidade?
Ou falta de coragem de mudar tanto?
Dias de céu azul pedem sorvete de creme com calda de chocolate. Pedem tudo: a chegada de quem não avisou que vinha; um beijo inesperado; sair cantando pela rua e o que mais der vontade.
Dias de céu azul são foda. Dias de céu azul e vento leste são enlouquecedores, principalmente para quem sente falta de ar.

7.3.07

Baudrillard diz adeus

Com a definição de ambiência nas mãos e as explicações sobre cor natural, quente e frio, preenchi toda a lousa com as falas de Baudrillard. Seu livro "O sistema dos Objetos", deveria ser lido obrigatoriamente por todos os jornalistas, publicitários e designers que pretendem entender o nosso cotidiano. Minha aula foi rica de cenas mentais e depois de 45 minutos falando para uma platéia de 45 alunos, uma garota de sardas me perguntou qual a visão que Baudrillard tinha do nosso mundo. Puxa, não pude deixar de dizer que ele tinha partido ontem, aos 77 anos. Um dos meus pensadores preferidos, Baudrillard sempre teve uma abordagem ácida da mídia e da sociedade do consumo que vivemos mergulhados até o pescoço.

Em 1968, lançou seu primeiro livro de sociologia, "O Sistema dos Objetos", sucedido por "A Sociedade de Consumo", em 1970. Três anos depois, ao assinar "O Espelho da Produção", rompeu com o marxismo. Depois dessa mudança nos ventos, Baudrillard conquistou mais inimigos que amigos, pois conseguia abordar idéias totalmente opostas com a mesma desenvoltura que escreveu "América". Foi uma manhã riquíssima pra mim. Ainda mais nesta semana insuportavelmente Bush.

6.3.07

Wiki, Second Life e Google na sala de aula

Google como ferramenta de apuração de matérias? Retorno dos copidesques às redações? Wikipédia, Second Life e Web 2.0.? Se você acha isso tudo estranho é porque ainda não mergulhou no universo do jornalismo digital e on-line. Em entrevista exclusiva ao Reunião de pauta , dei dicas para quem quer se preparar para encarar, sem medo, o futuro da profissão. Fico cada vez mais animada com iniciativas acadêmicas como a do professor José Renato Salatiel, da UNAERP do Guarujá, que mantém o blog Reunião de pauta como apoio para a didática em classe. Outros exemplos, como meus alunos de Jornalismo, turma 2007, na PUC-SP, que criaram uma comunidade no Orkut para usar como mural das aulas e o google talk como forma de conversa online, já que o Google passa pelo firewall da PUC e o MSN é barrado, me fazem ter a certeza que a minha aula sobre práticas jornalísticas no Second Life será muito legal hoje a noite. Leia a seguir a entrevista: http://salatiel-reuniaodepauta.blogspot.com

4.3.07

Pequenas tarefas cotidianas

 Use a luz natural o máximo que puder
 Feche torneiras enquanto não utiliza a água que sai delas
 Cobre do vizinhos e do prédio em que mora os desperdícios de água
 Desligue tudo que pode ser desligado quando sair de casa
 Chame só um dos elevadores
 Suba ou desça pela escada um ou dois andares
 Use transporte público sempre que puder
 Use o menos possível o carro
 Opte por andar a pé ou dividir carona
 Se usar material reciclável dê a eles o caminho do lixo apropriado
 Reutilize papéis usando os dois lados para rascunho
 Use a descarga somente o necessário
 Agende coleta de lixo reciclável
 Consuma produtos com certificado (madeiras, verduras etc) de
sustentabilidade
 Prefira produtos da região (diminui o transporte e economiza
combustível)
 Incentive o comércio do bairro e dos locais próximos de sua casa
 Use lâmpadas de menor consumo
 Calibre os pneus do carro
 Se tiver condições, use um aquecedor solar
 Incentive seu prédio a adotar medidas preventivas
 Denuncie abusos de gastos indiscriminados de energia
 Use água usada para dar descargas

Se você achar que sua parte não interfere em nada, saiba que:

 Uma família que escova os dentes com a torneira aberta gasta 300
litros de água por dia
 Uma lâmpada econômica consome 10% a menos de energia
 Um carro emite, num só dia, CO2 equivalente ao que uma árvore
demora 20 anos para absorver
 Pneus calibrados economizam 3% do consumo de gasolina
 Se 30% do material reciclável for reaproveitável, a energia
economizada é suficiente para abastecer uma cidade de 10 milhões de pessoas
 Cerca de 70% da madeira consumida vêm de extração ilegal. Não
compre qualquer madeira, exija o selo de controle

As coisas tão mais lindas













Entre as coisas mais lindas que eu conheci
Só reconheci suas cores belas quando eu te vi
Entre as coisas bem - vindas que já recebi
Eu reconheci minhas cores nela, então eu me vi
Está em cima com o céu e o luar
Hora dos dias, semanas, meses, anos, décadas
E séculos, milênios que vão passar
Água- marinha põe estrelas no mar
Praias, baías, braços, cabos, mares, golfos
E penínsulas e oceanos que não vão secar
E as coisas lindas são mais lindas
Quando você está
Hoje você está
Onde você está
As coisas são mais lindas
Por que você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas

Cássia Eller

1.3.07

Valiosas dicas do Luli

Você acorda todo dia no mesmo horário, toma o mesmo café e come a mesma torrada com manteiga? Também toma banho se ensaboando sempre do mesmo jeito? Nunca fotografou a sua rua? Nem colocou uma roupa totalmente diferente do que sempre coloca? Nos feriados vai sempre para a mesma praia? Jamais parou uma hora por dia para fazer algo que nunca faz? Acho que você precisa ler as dicas abaixo. Com isso em mente, seguem 10 dicas de Luli Radfahrer, PhD em Comunicação Digital pela ECA/USP, onde também é professor há dez anos:

1) Informe-se. A inspiração não surge do nada. Pessoas criativas normalmente conhecem a fundo os temas sobre quais opinam.

2) Desfoque. A pressão para pensar em um único tema é uma inibição latente. Por mais que falem maravilhas de se permanecer “concentrado”, é sempre bom ter em mente que esse processo restringe e limita idéias novas.

3) Busque experiências diferentes. Entre em contato com manifestações artísticas ou atividades físicas inéditas. Novos esportes, radicais ou não, tipos de dança ou coreografias como Capoeira, livros de autores desconhecidos ou inéditos para você (Dostoiévski, por exemplo). O mesmo vale para gêneros musicais e artísticos em geral.

4) Tire um tempo para si. Procure reservar de 15 minutos a meia hora por sessão, pelo menos umas três vezes por semana, para escrever, desenhar, tocar algum instrumento ou mesmo cochilar, sem ser interrompido.

5) Redefina visuais. Desenhe um mesmo objeto de vinte ou mais formas diferentes. Se não souber desenhar ou estiver com preguiça, procure fotografar um mesmo objeto de 50 formas diferentes.

6) Fotografe sua rua. Aproveite que câmaras digitais tornam a fotografia uma experiência barata e condicione seu olhar. Sem sair de casa ou de sua rua, fotografe texturas, folhas, cores, formas. Se aproxime de objetos cotidianos como tampas de bueiros e os explore visualmente. Exagere. Amplifique detalhes de sua experiência ou de sua relação com o mundo.

7) Mude a ótica. Veja seu cotidiano pela ótica de uma criança de seis anos ou menos. Transporte-se para um olhar diferente do seu.

8) Interrompa seu dia. Pare por alguns instantes e faça algo que demande atenção, de preferência física. Regue plantas, por exemplo. Isso ajuda a desfocar e quebra a concentração. Vá tomar um café, converse com alguém alheio ao problema (mas não se prenda ao assunto que está trabalhando).

9) Copie. Por mais que pareça feio, essa atividade não tem nada a ver com plágio, muito pelo contrário. Ao copiar uma obra pronta sem saber qual foram as etapas seguidas para sua realização, você é obrigado a refazer o caminho passo a passo. Nesse processo, muitos desvios aparecem, sugerindo soluções mais adequadas. Para tornar o tópico mais divertido, copie coisas que não têm nada a ver com seu trabalho: esculturas, peças de teatro, prédios etc.

10) Mova do literal para o pictórico. Desenhe, diagrame ou busque fotografias que ilustrem sensações ou situações cotidianas. O barulho de um mosquito, o cheiro de pipoca etc.

Mesmo que essas dicas todas não te ajudem, certamente não farão mal. Tenha em mente que aquele tipo focado e concentrado, o tipo que nunca se desvia do assunto, pode até ser bom profissional, mas é chatérrimo.

28.2.07

Como publicar narrativas em série

Publicar uma história que tem desdobramentos, não é mesma coisa da velha pirâmide invertida. Na web precisamos de outros ingredientes, como os presentes nas Leis daGestalt, aplicados à hipermídia. Será que as taxonomias também podem ajudar? Roy Peter Clark já tem as respostas e elas estão no site Poynter Institute, o sexto e último artigo do seu trabalho sobre como é que os jornais e os sites devem tratar grandes histórias. http://www.poynter.org/content/content_view.asp?id=118571

25.2.07

Impossibilidades

A impossibilidade do encontro (...)

Ambos sabiam que o improvável sempre iria acompanhá-los. Desde o primeiro encontro; não havia força capaz de movê-los para a consumação das coisas. Eles eram apenas sonhos e sensações, as mais puras e belas. Cada um sabia exatamente o que o outro sonhava ou desejava para si e para o mundo em que viviam.
Mas eram incapazes de, por exemplo, marcar um encontro simples, sem atrasos, correrias ou pressa. O relógio do dia-a-dia os aprisionava. Eles eram atrapalhados (ambos) e mal conseguiam dar conta da chatice do dia-a-dia. Tantos papéis para representar na escola, no trabalho (...) Tantos telefonemas que nunca foram feitos. NÃO QUERIAM INCOMODAR.
Eles sentiam saudade. Aquela que aperta o peito, mas se recusavam a se apaixonar. Isso era para os tolos. Eles estavam numa esfera acima, prometeram não sofrer mais. Já sofreram muito. Plastificaram o coração e viviam disfarçando os sentimentos.

O tempo passava e eles permaneciam atrelados como um bote salva-vidas, que envelhece ao lado do navio, sem uso. Queriam tempo e um lugar doce, mas só aconteciam encontros próximos ao metrô, ou em pequenas doses de felicidade. O expresso 1368 só partiu uma vez. Eles conseguiram, neste dia, congelar o tempo, ou melhor, expandi-lo como se tivessem entrado num portal mágico. Lá os sonhos – por horas – pareciam para sempre.
Mas ao tentarem pegar o mesmo trem, a sombra do dia-a-dia os envolvia de culpa, compromissos, tolices e racionalizações que os românticos fazem constantemente para se mostrarem durões.
Durões no ligam, durões escrevem num bloquinho velho.
Mas jamais ligam e dizem:
Vem me ver agora.

23.2.07

Formato pêra

Woody Allen descobriu o Livro da dieta de Friedrich Nietzsche e publicou alguns trechos na revista Piauí deste mês. A melhor parte é quando Nietzsche discorre sobre a gordura acumulada nos quadris. Vale a pena ler (...) "A gordura propriamente dita é uma substância ou a essência de uma substância ou um modo de tal essência. O grande problema tem início quando ela se acumula nos quadris. Entre os pré-socráticos, foi Zenão quem preconizou que o peso era uma ilusão, e que, por mais que um homem comesse, ele sempre engordaria apenas a metade do que engorda um homem que nunca faz flexões de braço. A busca de um corpo ideal obcecava os atenienses e, numa peça perdida de Ésquilo, Clitemnestra quebra seu juramento de nunca mais fazer boquinhas entre as refeições e arranca os olhos quando se dá conta de que não cabe mais em seus trajes de banho" (...). Eu, como boa integrante das mulheres com corpo pêra e também apaixonada por Nietzsche, comprei a Piauí logo que vi a chamada na banca mais próxima.

***
"a Torta Cremosa de Frango, de Hegel, foi a primeira a utilizar as sobras com implicações políticas relevantes. O Mexidinho de Camarões Fritos com Legumes, de Spinoza, pode ser desfrutado igualmente por ateus e agnósticos, ao passo que uma receita pouco difundida de Hobbes, Costelinhas de Leitão Assadas na Grelha, permanece como um enigma filosófico. O grande lance da Dieta de Nietzsche é que, uma vez que os quilos são perdidos, eles continuam longe de nós – o que não é o caso do Tratado sobre o amido, de Kant". Simplesmente um deleite!

Blog contra o islã?

Casos como o do blogueiro Abdel Karim Suleiman, de 22 anos, condenado a quatro anos de prisão por criticar o islã e o ditador egípcio Hosni Mubarak, estão se tornando comuns no tribunal de Alexandria. Ainda em janeiro deste ano, outro egípcio, o estudante Kareem Amer, de 22 anos, também foi preso por ter postado em seu blog material considerado difamatório pelas autoridades.
Segundo o que apurou a Folha de S.Paulo, o ex-estudante de direito já estava preso desde novembro do ano passado por causa dos textos críticos que ele publicou na internet. Em comunicado à imprensa mundial, a Anistia Internacional afirmou que "esse é um novo golpe violento contra a liberdade de expressão no Egito" . Comunicados indignados não resolvem o problema de uma geração de jovens egípcios que querem se expressar. Em um país onde o Estado controla os jornais, as rádios e as emissoras de TV, a internet tornou-se a única fonte de expressão.

6.2.07

New Order no café da manhã

"Krafty"

Some people get up at the break of day
Gotta go to work before it gets too late

Sitting in a car and driving down the road
It ain't the way it has to be

But that's what you do to earn your daily wage
That's the kind of world that we're living in today

Isn't where you wanna be

And isn't what you wanna do

Just give me one more day (one more day)
Give me another night (just another night)
I need a second chance (second chance)
This time I'll get it right (This time I'll get it right)

I'll say it one last time (one last time)
I've got to let you know (I've got to let you know)

I've got to change your mind (I've got to change your mind)
I'll never let you go

You've got to look at life the way it oughta be
Looking at the stars from underneath the tree
There's a world inside and a world out there
With that on tv you just don't care

They've got violence, wars and killing too
All shrunk down in a two-foot tube
But out there the world is a beautiful place
With mountains, lakes and the human race
And this is where I wanna be
And this is what I wanna do

Just give me one more day (one more day)
Give me another night (just another night)
I need a second chance (second chance)
This time I'll get it right (This time I'll get it right)

I'll say it one last time (one last time)
I've got to let you know (I've got to let you know)

I've got to change your mind (change your mind)
I'll never let you go

Just give me one more chance (one more chance)
Give me another night (just another night)
With just one more day (one more day)
Maybe we'll get it right (You know I'll get it right)

I'll say it one last time (one last time)
I've got to let you know (I've got to let you know)
If I could change your mind (change your mind)
I'll never let you go

23.1.07

O tempo visível


Pensando em localização, rotas e coordenadas cheguei, ou melhor, voltei a 1905 e reli os sonhos do jovem Albert Einstein, um recém-formado que trabalhava como funcionário de 3ª graduação num escritório de patentes. Albert ficava por longas horas pensando e repensando o tempo.

“É impossível caminhar por uma avenida, conversar com um amigo, entrar em um edifício, relaxar sob os arcos de arenito de uma velha arcada, sem ver um instrumento de medição do tempo. O tempo é visível em todos os lugares. Torres de relógio, relógios de pulso, sinos de igrejas dividem os anos em meses, os meses em dias, os dias em horas, as horas em segundos, cada incremento de tempo marchando atrás de outro em perfeita sucessão. E, além de qualquer relógio específico, uma vasta plataforma de tempo, que se estende por todo o universo, estabelece a lei do tempo igualmente para todos. Neste mundo, um segundo é um segundo é um segundo. O tempo avança com exuberante regularidade, com exatamente a mesma velocidade em todos os cantos do espaço. O tempo é soberano infinito. O tempo é absoluto”.

17.1.07

Eu quero manifestantes na sede do COB

A empresa alemã www.erento.com aluga carro, máquina fotográfica, imóveis e agora também manifestantes. Você pode escolher se quer um manifestante a la Che Guevara, ou de olhos azuis etc. Tudo pelo catálogo do site. Se o manifestante alugado for simpático à sua causa ele pode cobrar mais barato, mas o valor médio custa US$ 150/dia. Eu quero 1000 manifestantes na sede do COB amanhã!
Em entrevista para a BBC, a Erento diz: "Abrimos o serviço devido à crescente demanda", dizem os responsáveis pelo Erento, Chris Möller e Uwe Kampschulte. "Em geral, não sabemos o que os manifestantes contratados acabam fazendo, mas naturalmente rechaçamos qualquer forma de agressividade ou extremismo de direita".
Fico imaginando dois manifestantes voltando para casa depois de uma jornada de trabalho. Ideais? Lutar pela causa....Acho que tudo se resume a mais uma estratégia de marketing educacional, bem ao estilo da Red Bull, que ontem, em São Paulo, colocou três promotoras para distribuir latas do energético no local do acidente do metrô. "Não é promocional, é só para dar uma energia para o pessoal daqui", disse a Folha de S. Paulo a promotora Fernanda Souza, 22. Maitê Camargo, 20, disse que a intenção era "dar um gás para a galera que está trabalhando". Que janeiro pra lá de estranho

COB proíbe transmissão via web do Pan

O COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e o CO-Rio (Comitê Organizador dos
Jogos Pan-Americanos do Rio 2007) anunciaram que os veículos de
Internet não terão direito à produção ou transmissão ao vivo de
conteúdo próprio que inclua vídeo ou áudio captado em áreas oficiais
do evento, que será realizado entre 13 e 29 de julho no Rio de Janeiro. Mais um absurdo em um mês que já tivemos o YouTube fora do ar por causa da nossa Cinderelli tupiniquim.

Para Sérgio Murillo de Andrade, presidente da Fenaj, em e-mail ao site Jornalistas da Web, "A decisão do COB significa um claro desrespeito ao direito de livre acesso à informação. Trata-se de um evento de natureza pública, financiado com recursos públicos, de grande interesse jornalístico e não deve haver restrições ou impedimentos ao acesso e livre divulgação das informações, sob quaisquer meios. Infelizmente, o esporte é cada vez mais produto comercial e acaba prevalecendo interesses, em detrimento da sociedade, exclusivamente econômicos de patrocinadores e fornecedores. A FENAJ, entidade sindical, tem limites para atuação ou representação legal em temas dessa natureza. É mais um assunto de competência de um Conselho Federal, como a OAB, como o CFJ, que lutamos para ser implementado e que sofre uma oposição desleal das empresas".

13.1.07

Estender para entender


A obra “Inda”, de 1996, de Elida Tessler, e a frase abaixo inspiraram os primeiros layouts do Remix Narrativo e sua concepção conceitual. É bom relembrar 2005.

“Colocamos as roupas rio varal para que sequem, como que renovadas. Elas passam de um estado a outro. É preciso esperar, ter paciência. Estender para entender. Há um tempo entre o pendurar e o recolher as roupas no varal. As toalhas ali estão em suspensão, como páginas em branco”

12.1.07

Nozes no final da tarde

Nunca me senti tão reflexiva como hoje. Estou escrevendo meu doutorado há oito horas e não me sinto cansada. Me vejo com 19 anos apaixonada pela Hilda Hilst, múltipla e barroca. O engraçado é que olhar para trás, ou melhor, me olhar melhor, me fez descobrir o rumo da tese. Decido fazer um intervalo criativo para quebrar as nozes que sobraram do Natal e preparar um patê de frango com esta iguaria que amo. A cada noz, percebo como ela se parece com o nosso cérebro e também que sua cor amarelada pode ser inspiradora.

Já quebrei umas 25, super terapia. Vou quebrando e comendo, o que talvez não resulte em patê de frango. Ouço 14 Bis e penso em Ouro Preto. Realmente nunca deixei de ser barroca. Que bom!

A velha mídia divide o mundo entre produtores e consumidores: nós somos autores ou leitores, emissoras ou telespectadores, animadores ou audiência; como se diz tecnicamente, essa é a comunicação um-todos. A nova mídia, pelo contrário, dá a todos a oportunidade de falar assim como de escutar. Muitos falam com muitos – e muitos respondem de volta. (apud Dizard Jr., 2000, p.23)

10.1.07

Em Matadeiro com Lee Anne


Nada como um banho de mar em Matadeiro, um filho surfista e Lee Anne na sua melhor fase em The Top Chef, reality show que amo na NBC. Se quiser uma dica minha: não assista ao BBB 2007, mude de canal. O melhor, desligue a TV e leia o blog da melhor chef da série Lee Anne

Segue abaixo sua receita de Thanksgiving

Apple, Pear and Cranberry Cobbler

INGREDIENTS:
1½ lbs. Apples, Granny Smith, peeled, cored and cut into ½” thick wedges
1½ lbs. Bosc Pears, peeled, cored, and cut into ½” thick slices
1 cup Fresh/Frozen Cranberries
2/3 cup Granulated Sugar
3 Tablespoons Dark Brown Sugar
2 Tablespoons Cornstarch
2 Tablespoons Lemon Juice
1 teaspoon Vanilla Extract
1 teaspoon Ground Cinnamon
1 teaspoon Freshly Grated Ginger
2 cups all-purpose Flour
2 teaspoons Baking Powder
½ cup Cold Butter, cut into small dice
1 cup Heavy Cream, plus more for brushing
Sanding Sugar, Pearl Sugar or Sugar in the Raw, for sprinkling Salt.
Salt

8.1.07

Os meus três Reis Magos

Estou em um beco de uma favela e preciso deixar os sapatos para subir a ladeira. Os chinelos pretos, que minha mãe me deu, ficam na entrada da passagem. Estou descalça na quebrada e sinto medo. Congelo a cena.

Vou beber água. Saio da ruela e encontro um estacionamento abandonado. Dois cachorros brancos com pintas pretas me cumprimentam. Ouço sinos tocando, mas não avisto nenhuma igreja. Um sofá rasgado aparece ao fundo de uma tenda de lona bege, suja. Sentados estão três pessoas: um preto velho, vestido de branco, um índio e uma velha mulata, cheia de colares. Carrego uma cesta de vidro transparente com água e um bebê recém-nascido submerso. Ao meu lado está Maurício, calado. O índio se aproxima e diz:

-- Que olhos lindos.

Neste instante eu olho para a cesta e me vejo bebê. Neuci, a senhora mulata, canta uma cantiga gregoriana bem bonita. Fico em paz. O negro velho entrega uma garrafa com um líquido verde para Maurício e diz para ele me levar para casa. Sentar na cabeceira da mesa -- que é o seu lugar -- e me deixar descansar, pois foi um longo caminho até aqui. Bem-vindo 2007! A vida, só deixar rolar.

7.1.07

O marxismo e a democracia na web


Fico meio lenta e reflexiva no início de um novo ano. Me vejo relendo tudo que achei interessante em 2006. E surgem perguntas? O que Lonelygirl tem de semelhança com Woody Allen? Quantos ativistas gays brasileiros se encaixam no perfil de Hudson, de Washington? Será que Megan Gill teria o mesmo namorado de antes do Facebook? Quantos voluntários brasileiros fazem o mesmo trabalho de Simon Pulsifer na Wikipedia? Ou ainda, onde está o Blake Ross -- criador do Firefox -- brasileiro? Na edição de 25 de dezembro, a revista Time trouxe todas estas histórias de personalidades da web, participantes da nova democracia digital. Minha visão marxista não vê tão tranquilamente esta igualdade social no ciberespaço, fica aquela sensação de chocolate diet para diabético. Com cara de normal, mas quando damos a primeira mordida, percebemos que é irreal. Mas também sou apaixonada pelo virtual. Acho que continuarei com dualidades em 2007. Excelente descobertas para todos!

5.1.07

Marionete nua


A marionete estava nua. Toda a turma havia entrado em cena e eu fiquei no estaleiro. O sol a pino me dizia que o dia ia ser cheio. Os vestidos no cabide, que a Lurdes carregava para o armário, davam o tom da cena. No olhar da minha avó percebi a breguice da família. Gente de bem, onde a matriarca mor, como sempre, ordenava e cuidava pessoalmente dos últimos preparativos para o grande show de bonecos animados. Tudo se movia como abelhas operárias a caminho do trabalho. E eu, como sempre, permanecia abestalhada diante de tamanha orgia.

Naquela manhã ensolarada percebi que havia uma pontinha de tristeza e angústia no olhar da minha bisavó. Ela estava imóvel olhando para a janela – perdida, vazia. Olhei para seu colo e a xícara de café estava tombada. O líquido escuro escorria lentamente pelas suas coxas e ela nem se movia. Corri para ajudá-la e ela me disse baixinho:

- Não se preocupe com uma velha de 89 anos, eu já morri para todos nesta casa e nada mais se mexe na minha vida.

Enxuguei rapidamente seu colo e afaguei sua cabeça, ia dizer que ela era a pessoa que eu mais amava na família. Mas a voz não saiu. Fiquei dura e fria como tinha proposto ser. Não queria sofrer ou me comover, apenas encenar o papel que tinham escrito para mim. “Ser inteligente na escola e burra na vida”. Era o slogan desta peça vivida dia-a-dia por uma atriz coadjuvante, aquela que fica na última fileira do palco e só fala quando precisam de alguém que faça a platéia rir.

25.12.06

Resoluções de Ano Novo


O calor me fez acordar cedo para uma segunda natalina, 9h15. Resolvi descer até a academia e correr por uma hora na esteira -- ajuda a pensar melhor, espanta o ócio, já que não aguentava mais assistir a programação da Globo. Minha mãe adora a Globo e isso me enlouquece. Chego na academia do prédio e dois homens conversam na esteira. Ligo a outra esteira e fico ao lado deles ounvindo tudo com meu MP3 desligado. É o hábito das conversas alheias. Um era moreno, uns 33 anos, casado. O outro, um pouco mais velho, com barriga, também casado. As esteiras marcavam velocidade sete, nós três bebíamos água quando o mais novo disse para o outro. Em 2007 espero ganhar meu primeiro milhão; sair deste apartamento, ir para um de 4 dormitórios.

Neste instante percebi que os ideais de cada um podem ser diversos. Ia responder para ele que em 2007 eu quero dar 120 beijos na boca, um para cada dia do ano; tomar mais milkshake e voltar a nadar, uma paixão antiga. Até olhei para ele, mas não tive coragem e continuei correndo. Fiz uma lista para 2007:
1) evitar os chatos
2) Não lutar pela casa própria
3) Sorrir mais
4) Trabalhar menos
5) Fazer musculação todos os dias
6) Namorar mais
7) Encarar a vida como um caminho que construímos caminhando
8) Manter a dieta
9) Evitar os invejosos, as pessoas pesadas
10) Se algum item falhar, comer um X-Salada que tudo fica azul novamente.

19.12.06

Calor, mosquitos e a TV Globo

Tem dias que desejamos realmente que o teletransporte exista. Ninguém merece a programação da Globo em dezembro, a novela, o calor e esses mosquitos. Sei que sou chata, reclamona, mas hoje eram 8h10 da manhã e já estava 32 graus na Pompéia. Fui passear com a minha cachorra e tive o desprazer de encontrar um vizinho japonês com dois Poodles brancos horríveis. Eu odeio Poodle. O dono não carregava um saquinho plástico para as fezes e os cachorros usavam sapatinho de pelúcia para não sujar as patas. A rua tudo bem. Fui lá e ofereci um saquinho. Ele fez cara de bobo, nem agradeceu. É isso. O brasileiro é mané, assiste a Globo, come peru na ceia de Natal -- mesmo fazendo 40 graus neste país tropical; vai ao shopping -- mesmo com duas horas de espera para estacionar no Iguatemi. Será que sou muito chata? Com certeza sou, mas é duro entrar na fôrma, gostar do que todos gostam. Amar do jeito que todos amam. Aceitar a família Doriana, mesmo quando não acreditamos na instituição do casamento. Comprar nozes e figo para a mesa do dia 24, quando preferimos um abacaxi com cubos de gelo e um carpaccio esperto.
A chuva trouxe um pouco de vento, seu telefonema me encheu de felicidade e resolvi resgatar a música Lenha, de Zeca Baleiro, que adoro, principalmente quando a letra diz:

se eu não sei dizer/o que quer dizer/ o que vou dizer/se eu digo pare/você não repare/no que possa parecer ...

Quem sabe sonho que estou no frio, cheia de queijos gostosos, um bom vinho, nada na cabeça e a leveza de quem vive cada dia como se fosse um bom filme. Quem sabe o ano que vem consigo fazer cuscuz no Natal, trocar o pudim de leite condensado pelo gelado de manga. Enfim, possibilidades.

2006 em retrospectiva digital

Como rege a natureza da informação, o ano que passa parece ter sido mais volumoso do que o seu anterior. Em meio a tal overdose de eventos, no entanto, alguns chegaram para ditar (ou ajudar a ditar) novos (e bons) rumos nas vias da informação online. A explosão do podcasting e dos portais de vídeos, o crescimento da telefonia via Internet, o abraço definitivo dos conglomerados e empresas de mídias tradicionais ao conteúdo cidadão. Vertentes que começam a ganhar status de pilares, mas que, antes disso, servem-nos como bússola para que possamos pensar e construir uma esfera virtual melhor.
Para celebrar o rico ano de 2006 no mundo virtual, Mario Cavalcanti, editor do JW, convidou seis profissionais veteranos da Web, ciberjornalistas e/ou especialistas no meio online, para apontar grandes acontecimentos ocorridos durante o ano e possíveis tendências para 2007. Acompanhe

18.12.06

Cenas impensáveis

Várias coisas me deixaram feliz e triste ao mesmo tempo no espaço entre ontem e hoje. O Inter conquistou o Mundial de Clubes e Yokohama e deixou Ronaldinho com cara de bobo. Havana Velha foi remodelada em apenas 13 anos e hoje abriga 16 hotéis, 100 lojas, pousadas e edifícios. Se eu demorar muito para visitar Cuba, imagine o que encontrarei em 2010, por exemplo?
Também sou obrigada a ouvir do Clodovil, em entrevista por telefone para a coluna da Monica Bergamo, na Folha de S. Paulo, que vai doar seu salário de R$ 24.500,00 de parlamentar para os pobres. É muito para uma pessoa só tentando ficar longe da baixaria dos parlamentares brasileiros. Melhor pensar no Inter apenas.

17.12.06

Tempo

De todos os cartões virtuais de Natal que recebi esta semana, o do amigo Luiz Márcio Ribeiro me tocou mais. Ele nos fala do tempo, o mais precioso bem do homem moderno. Gostei tanto que resolvi compartilhar com vocês. Ótimo 2007 para todos!


“A gente, quase sempre, quer, pelo menos, um tempinho a mais: pra beijar, pra passear, pra ficar na cama, pra conversar, ou só pra vadiar.
Mas a vida do jeito que anda, não nos deixa tempo para nada. Tempo de trabalhar, estudar, tempo de encarar o trânsito da cidade, fazer uma reunião depois da outra, ficar nas tantas filas para onde a gente quer ir...
Por isso, que em 2007 você ache mais tempo para exercer suas habilidades, aquilo para o que você serve e te deixa mais feliz. Que seja muito criativo para evitar a compulsão, o trabalho repetitivo, o tédio, os chatos, o apego às coisas, os possessivos...
Que em 2007 sejamos mais livres, leves e soltos....”

13.12.06

Histórias de uma gorda

A fila do caixa estava enlouquecedora, quase desisti de tudo, pois odeio supermercado. Lembrei que esqueci de pegar o sabão em pó. Como alguém esquece do sabão? Deixei uma senhora cuidando dos dois carrinhos e fui atrás do Omo. No caminho vejo duas gordas, uns 120 kg cada, segurando calcinhas minúsculas. Não resisti e parei discretamente ao lado da banca de ofertas que dizia:

Compre 2 e leve mais 2. Eram calcinhas de renda rosa claro, rosa choque e vermelha. Horríveis! Tentei disfarçar e comecei a observar a renda grosseira de uma delas. Daí veio o melhor: a fala de uma das moças. Acho que vou levar, hoje tenho um encontro com o Zé. Será que tem GG? Fiquei imaginando que a calcinha GG caberia em uma das pernas, mas jamais ultrapassaria o quadril. Resolvo ficar ali ouvindo mais um pouco da conversa, esquecendo completamente do Omo.

A conversa dos Pingüins


Dezembro me deixa no limite do stress. Ontem, não aguentava mais a conversa ao lado, o barulho dos meus dedos teclando, sem cessar, no computador e a falta de um chocolate básico. Resolvi congelar o fim de noite e ir a pé até a locadora mais próxima. Nada de aventura, suspense ou terror, trouxe para casa "A marcha dos Pingüins" e alguns Alpinos. No caminho já me sentia melhor. Nada como um filme bem lento para baixar a adrenalina e nos deixar na sintonia ideal. "Mais dez dias e milhares de passos, mais dez dias e milhares de passos e chegamos ao final da caminhada dos pingüins imperadores em busca do par perfeito para o romance de inverno".
A cada ano elas procuram, no meio da imensidão gelada, o macho perfeito para dançar. Brigam, se batem -- tudo enquanto os machos imóveis esperam a TPM feminina passar. Me diverti demais, ainda mais com a trilha perfeita de Emilé Simon. "Se a dança for harmoniosa, o casal sobreviverá ao gelado inverno da Antártica", nos diz o narrador. Casal é isso, uma dança perfeita, o encontro certo. Fiquei pensando que deveríamos ser como os pingüins: dançar, namorar e depois cada um seguir seu objetivo de vida sem olhar para trás. Eles caminham em direção ao mar, deixando até seus filhotes -- já crescidos -- independentes. A liberdade do oceano fala mais alto para todos.

A beleza singular do silêncio, após a fecundação do ovo é outro ponto forte do documentário. O amor foi feito e tudo está em silêncio, imóvel, proporcionando calor para o ovo. A fêmea faminta, deixa o pai cuidando do futuro pingüim enquanto ela vai caminhando até o mar se alimentar para poder voltar e nutrir o filhote.

3.12.06

Natal/Noel











época estranha

sensação de fome constante

um aperto enorme

no peito

no olhar

Felicidade comprada com flocos de algodão

época quente

lugares cheios

crianças com olhares de ansiedade

grande ansiedade!

emoção a flôr da pele

me sinto criança

apertada e aflita

quero uma árvore que vá até o céu

que papai noel exista

venha me visitar

trazendo tudo o que perdi

ao longo do caminho